DRE Ferramenta Financeira Obrigatória

O DRE  é uma ferramenta financeira de uso obrigatório pela empresa e que deve ser formalmente apresentada todo mês pelo gestor financeiro à diretoria sênior da empresa.

O gestor financeiro deve apontar suas considerações e recomendações para garantir a austeridade orçamentária.

O DRE compara os resultados previstos em orçamento para o ano fiscal versus o que foi realizado no mês corrente. [ ler capítulo sobre elaborar orçamento ]

O DRE também demonstra a evolução positiva ou negativa dos indicadores de performance da empresa apresentando tendências que exigem ações de manutenção no caso de resultado positivo ou, de correção no caso negativo. 

Além dos números que são apresentados num formato padrão, existem duas variações que devem ser inseridas no demonstrativo e que auxiliam na análise.

  1. Analise Vertical, que ajuda a verificar quanto, percentualmente, cada conta de custo ou despesa impacta no resultado de vendas.  Ao longo to tempo, o gestor pode monitorar se os percentuais permanecem estáveis ou sob controle. Caso contrário, consegue identificar os ofensores do orçamento e imediatamente, colocá-los de volta nos parâmetros definidos pelo orçamento geral da empresa.
  2. Analise Horizontal, auxilia a identificar   a proporção entre o aumento ou diminuição das vendas e as respectivas contas de custos e despesas. O aumento das vendas, não deve impactar os custos e despesas fixas na mesma proporção.  A análise horizontal, ajuda a monitorar produtividade e a rentabilidade da empresa.
  3.  

A empresa eficiente consegue maximizar a produção em função do volume (o mesmo se aplica para uma empresa comercial ou de serviços).

Ao mesmo tempo, conseguetambém maximizar sua produtividade através de sistemas de qualidade.

 

Contraditoriamente, a ferramenta do DRE ainda é pouco utilizada para a maioria dos gestores e administradores de empresas. Inúmerosgestores que se identificam como financeiros, mas que na verdade são tesoureiros,  nunca ouviram falar nessa ferramenta básica e de vital importância para gestão da empresa.

No Brasil, a incidência de impostos é bizarra e muitas vezes, simplesmente,  inviabiliza a empresa que não consegue compatibilizar seus preços com o do mercado. Na prática, essa desordem exige um planejamento ou engenharia tributária constante. Vale lembrar também que os fiscais da receita não foram configurados para orientar a empresa e sim multá-la levando boa parte dos seus lucros. Não tolere nenhuma não conformidade com a Lei para que não tenha que lidar com essa situação que é , na maioria das vezes, constrangedora. 

As regras e incentivos tributários variam de estado para estado, que também negociam pedágios para vendas entre eles. Para atrair empresas, alguns estados concedem isenção de ICMS, outros flexibilizam o uso do crédito de ICMS gerando uma verdadeira guerra fiscal que não deverá ser solucionada nos próximos 20 anos portanto, até 2033. Por esse motivo, não é raro empresas serem obrigadas a mudar de estado para garantir a competitividade e continuar viabilizando sua operação.

 

A composição dos custos, ou CMV - Custos das Mercadorias Vendidas - é essencial para formação de preços e apuração da margem de contribuição da empresa.

 

A margem apurada, ou contabilmente chamada de"Margem de Contribuição"  deve ser suficiente para pagar as despesas fixas da operação - back office - e principalmente gerar o lucro combinado com o acionista.  A Margem de Contribuição que determina o preço - pricing. [ler capítulo sobre formação de preço]

Contabilmente, por definição, "custo" é tudo que esta relacionado ao produto, "despesa" é fixa. Par separar um do outro, não complique a equação. faça apenas uma pergunta :

  1. O que sua empresa deve pagar todo mês, obrigatoriamente, independe da geração de qualquer venda ? 

Esse é a despesa da operação ou - burn rate - Com relação custos e despesas, os níveis de complexidade podem ir desde uma definição compreensível interna, que resolve o problema, até um "monstro indomável" chamado custeio ABC.

Despesa Fixa é o pesadelo de qualquer empresa.

Cada conta de despesa deve seguir com rigor a orientação e principalmente os limites impostos pelo orçamento. Se sua empresa não tem orçamento e o resultado está entregue a sorte, aí tanto faz. Caso contrário, considere uma conta de despesa como um cheque preenchido previamente. Determine os valores e níveis de alçadas para aprovação das despesas. Muitos softwares de gestão contam com módulos chamados - workflow - que garantem a disciplina no processo através de sistema.

A margem, e nunca o faturamento, é que define a saúde da operação.  A matemática é simples e infalível. Se a margem da empresa esta baixa, não caia na tentação simplista, preguiçosae equivocada de cortar custos e despesas apenas.  Normalmente, cortar custos é efeito e não a causa dos seus problemas. Na prática e na grande maioria dos casos, sua empresa parou e empreender, de inovar,  e portantoesta colhendo os frutos podres da estagnação.

Se sua empresa esta cortando custos e despesas, provavelmente parou de empreender e inovar. Cortar custos é efeito e não causa do problema - a causa é uma administração negligente e preguiçosa. O DRE aponta também o resultado da falta de estratégias que normalmente é de deterioração.

 

É importante não gerar qualquer despesa que esteja fora do orçamento. Uma vez gerada, deverá ser paga. Cada conta deve ter um dono que responderá por seu controle. 

O lucro operacional mostra a capacidade da empresa em gerar resultadosatravés da própria operação ou seja, sem contar com outros tipos de receitas como: prêmios, engenharia financeira, fiscal e tributário. Uma operação saudável, paga as despesas fixas e gera caixa. 

A capacidade de gerar caixa determina o "pulmão" da empresa para:

  1. reinvestimentos em novos projetos estratégicos, compra de equipamentos, aumento da capacidade produtiva.
  2. pagar dividendos para os acionistas.  

O - valuation - da empresa que determina quanto vale sua empresa na hora de vender ou buscar ajuda de um sócio investidor,  que observa rigorosamenteessas duas variáveis.

Afinal, quem quer investir em empresas que não geram caixa e não reinvestem para crescer ?

O lucro da operação ajuda na priorização e decisão sobre as opções estratégicas e respectivos projetos estratégicos que exigem investimento. Na prática,  ajuda também a decidir sobre limites seguros de tomada de empréstimos - índice de alavancagem financeira -  O lucro também determina o valor do bônus para seus diretores que devem ser remunerados por resultados, ou seja meritocracia.

Uma empresa deve calcular separadamente a "exigência de caixa" e o "fluxo de caixa". 

Na etapa do planejamento estratégico, a empresa deve saber detalhadamente quanto necessita, ou seja, qual a exigência de caixa - burn rate -  para bancar uma determinada operação ou, por exemplo, o lançamento de um produto até que atinja seu BEP - break even point - , ou ponto de equilibrio.

Para calcular o montante de fluxo de caixa que deve garantir o pagamento de suas obrigações observe ociclo operacional [ ler capítulo sobre ciclo operacional ] . O ciclo se inicia no pagamento de um fornecedor, passando pelo processo produtivo até que o produto chegue no estoque, pela venda e vai até o recebimento do dinheiro da venda, que pode inclusive ter sido parcelado para o cliente que paga em 30, 60 e 90 dias.

O controle da tesouraria ou seja,  o contas a pagar e receber é essencial para eliminar as frustrações no caixa que geram tomadas de empréstimos de emergências com juros altíssimos. 

Agir com previsibilidade permite realocação de dinheiro próprio ou negociação de melhores taxas de juros, seja no banco ou via descontos concedidos a clientes por antecipação de pagamento.

Ler e entender o DRE é extremamente simples.  O DRE permite observar no tempo.

  1. Receita das vendas
  2. Incidência de impostos sobre os produtos vendidos
  3. Composição dos custos relativos aos produtos ou serviços
  4. Margem da operação
  5. Despesas gerais da empresa
  6. Lucro da operação
  7. Geração de caixa e controle preventivo do fluxo de caixa[ ler capítulo sobre fluxo de caixa ]
  8. Nível de endividamento ou estratégia de financiamento.
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